Gakki Cantora

 

Talvez seja surpresa para algumas pessoas que conhecem a Aragaki Yui pelos seus famosos papéis como atriz, mas ela é (ou pelo menos já foi) uma cantora.

Se você olhar a Wikipédia da Gakki em inglês (que por ser a língua franca da nossa época, acaba sendo a mais atualizada para assuntos gerais), a carreira de cantora dela é mencionada de forma bem passageira. Na verdade, na parte onde a carreira musical dela é citada, eles mencionam só o seu primeiro álbum Sora, que é o álbum onde está a música "Heavenly Days", que provavelmente é sua música mais conhecida.

A música, como é de se esperar, já é bastante entrelaçada com sua carreira como atriz - ela é uma música do filme Koizora, estrelado pela Gakki e Haruma Miura. Se você já assistiu o filme, você já ouviu a voz da Gakki cantando pelo menos uma vez.

Por coincidência, a banda favorita da Gakki é o SPEED, que foi tema de um post recente por aqui. Ambos são de Okinawa, uma das 47 prefeituras do Japão, mas que tem uma cultura bem própria por não ter sido parte do Japão por um bom período da sua história. Isso é até bem interessante, porque esse é um caso bem diferente comparado à maioria das outras prefeituras da ilha principal. Embora a cada geração o número de pessoas que se identificam apenas como Ryukyuanos venha caindo consideravelmente, ainda é minoria segundo algumas pesquisas, que Okinawanos que se identifiquem somente como japoneses. Não sei ao certo qual é o caso da Yui. Até onde eu sei ninguém fez essa pergunta super específica para ela.

Além de ser super famosa, a Aragaki tem algumas coisas bem legais sobre ela. Ela não é um livro aberto, e nem se apresenta sendo do tipo de pessoa super glamorosa. Quando perguntada sobre porque ela não tem Instagram, sendo que hoje é bem raro qualquer pessoa famosa do Japão não ter, ela respondeu em 2019 que não faria um porque os dias dela são entediantes e na maior parte do tempo ela dorme. Se serve de informação, até o início de 2026 ela segue não tendo Instagram, então os dias dela devem seguir sendo bem entediantes, e ela deve continuar dormindo igual um neném sem prestar atenção em redes sociais. Fez a escolha certa, sem dúvida nenhuma.

Tem também o fato de que ela casou com uma pessoa que ela contracenava. Os intervalos dessa série deviam ser... interessantes, pra dizer o mínimo.

Só que eu já vi a Gakki na humildade extrema. 

A coisa mais antiga que eu já assisti com a Gakki foi o Dragon Zakura original, de 2005. Ela fazia a namorada de um dos personagens, na época interpretado pelo Yamashita Tomohisa (Yamapi para os fãs), que até aparecia bastante, mas não tinha propósito nenhum dentro da série.

Ela era literalmente sacaneada nas cenas por não ter função nenhuma dentro da história. Ela não ter uma função além de ser namorada de um dos protagonistas era uma das piadas recorrentes do drama.

Esse elenco é todo estrelado. Na época era meio por acidente.

A carreira dela como atriz é super conhecida, então não tem muito o que dizer. Koizora, Hanamizuki, Code Blue, Legal High e vários outros. A lista de comerciais que a Gakki já fez parece uma lista telefônica. É até difícil de citar os mais famosos.

Por isso, hoje vamos falar um pouquinho dos álbuns e singles da Gakki, que talvez sejam o aspecto menos conhecido dela. Apesar que a Gakki já tentou ser seiyuu também - e até participou de Digimon.
Deixa isso pra lá, né.

Como sempre, sempre bom lembrar que eu não sou um especialista em música, nem músico e nem nada do tipo. Sou só um fã e entusiasta. Então, por favor, não leve nada aqui a sério demais.

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- SORA (2007)


A música que abre o álbum é "Heavenly Days", famosa por aparecer no filme de Koizora. O filme saiu em novembro de 2007, enquanto o álbum foi lançado em dezembro de 2007. Surpreendentemente, o videoclipe não foi lançado como primeiro single, sendo o single inicial "Make My Day", lançado no meio do ano seguinte.

O videoclipe de Heavenly Days é basicamente um compilado de cenas do filme de Koizora, o que faz certo sentido já que a música vem de lá. A música tem uma melodia bem bonita, e acho que de alguma forma a voz da Gakki nessa música se encaixa bem. Acho que a impressão geral desse álbum é que ela ainda não tinha muita técnica para cantar.

Acho que Heavenly Days, com um tom bem mais emocional e poético, mostra isso em vários momentos. Só que nessa música em específico, acho que essa falta de técnica se encaixa muito bem na canção. É uma canção sobre perda e um destino que não se cumpriu, então acho que a falta de técnica quase que se encaixa organicamente na música.


A música "Orenji" é um pouco mais conservadora musicalmente. É uma música divertida e animada, e acredito que seja a primeira música que você vai de fato ouvir o timbre da Gakki. Ela tem um timbre bonito, embora por vezes ele pareça um pouco infantil.

"Hi no Kageru Oka" segue uma linha parecida com "Heavenly Days". Isso porque a música é toda bem bonita, e em alguns momentos a voz da Gakki parece novamente um pouco fora. Eles corrigem isso na medida do possível, com boa parte da música sendo mais sussurrada e com uma progressão mais simples, quase toda baseada na melodia. Ainda assim, quando chegamos aos ápices vocais, acho que a voz dela não entrega muita coisa. Eu até cogitei que isso pudesse ser o timbre natural da voz da Yui, mas não parece ser o caso - na verdade, pelo contrário, acho que as melhores partes são as que você ouve o timbre natural dela.

"Memories" é um tanto impressionante, porque eu sinto que é a primeira música que ouvimos a voz da Gakki de verdade. A música é toda muito bem cantada, sem as coisas que faziam "Heavenly Days" e "Hi no Kageru Oka" parecem um pouco amadoras. Nessa música, a Gakki tem um tom de voz bem doce, e aquele tom "infantil" é completamente ausente aqui. 

O videoclipe é um pouco estranho. Nele a Gakki é uma costureira, e depois que a cantoria começa as costureiras viram as dançarinas do MV. Só que em boa parte do clipe a Gakki está nessa pose da foto: imóvel e com braços paralelos ao corpo. A música como um todo é até bem bonita.


"Hikari" é como uma confirmação do que eles queriam para a Gakki - a maior parte do álbum é feitas de músicas desse tipo. Acho que os vocais dela não estão tão bons quanto na música anterior, mas são bem decentes. Essa é a primeira música do álbum com letras escritas pela própria Aragaki. Ela é extremamente poética.

"Quando me olho no espelho,
Vejo uma versão sem cores de mim mesma
Algo que nunca mostrei
para ninguém, nem mesmo você
[...]
O véu branco que vestia
Ficou muito pesado
E eu nem percebi...
Que eu vinha arrastando ele enquanto caminhava
[...]
Nem tudo pelo meu caminho
É algo que eu queira esquecer
Porque a bondade e o calor
que encontrei, foram verdadeiros
[...]"

Outro dia alguém me perguntou o que significa "[...]" - e bem, eu achava que a maioria sabia, mas isso só indica que uma parte do texto foi omitida, e que esses versos não estão diretamente conectados.

Há um interlúdio instrumental, seguindo a linha melódica do álbum. Após ela, temos "Sutaaraito", que eu demorei um pouquinho pra entender que é "Starlight". Veja só, essa talvez seja a primeira música verdadeiramente uptempo do álbum - e ela não é ruim. Eles usam alguns efeitos esquisitos nessa música, mas nada muito grave. 

Acho só que essa música não é exatamente o que nós queríamos ouvir dela em termos de música mais uptempo. Há na maior parte do tempo, uma sensação de que eles poderiam um ir pouco mais a fundo nos vocais - mas escolheram não ir. É uma pena, os poucos momentos dentro da música em que a Gakki vai a fundo vocalmente nos refrãos, são bons.

"Pair Ring" entra na famosa categoria de coisas que não são boas o suficiente para serem lembradas, embora também seja injusto chamar a música de ruim. Ela é parecida demais com as outras coisas do álbum, e acho que não tem nada de muito especial sobre ela. Novamente, os vocais não retrocedem para aqueles defeitos que mencionei lá atrás - mas acho que é meio que isso. 

Acho que é válido mencionar, que as melodias desse álbum são todas realmente muito boas. Eu realmente gostaria de ouvir várias dessas músicas sem os vocais - sem ofensa para os vocais da Gakki. É só que elas são muito boas, de fato.

"Ai wo Shiritakute" é mais uma que segue um ritmo bem melódico, com uma voz confortante e doce. É musicalmente muito bonita, embora não seja nada muito especial. Sério, depois de nove músicas com apenas uma que mais ou menos sai um pouco desse padrão, esse álbum fica um tanto mais difícil de ouvir. Acho que é até fácil cometer alguma injustiça com as músicas dessa maneira, mas eu sempre levo comigo que se alguém colocou em um álbum, eles querem que eu ouça tudo junto.

A música que encerra o álbum é "Sora", que é a segunda e última música com letra escrita pela Gakki no álbum. A letra é de uma música de amor bem tradicional. A música em si segue o que já falamos de várias músicas - boa, mas nada demais. Nada memorável. A voz da Gakki segue doce, sem os deslizes do começo do álbum, mas também sem tentar nada de novo.

Talvez essa seja a definição do álbum. Ele nunca vai fundo em nada, e até entendo os motivos, mas do ponto de vista de se fazer um bom álbum, fica bem comprometido. Novamente, as melodias do álbum são muito bonitas e acho que são o melhor que o disco tem a oferecer. "Memories" emerge como a melhor música do álbum, sendo talvez o único salto de qualidade que o álbum tem. "Heavenly Days" é certamente a música mais lembrada, e acho que parte dos vocais ainda desengonçados da Gakki adicionam uma certa emoção à música - quem viu o filme quase certamente concorda.

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- Hug (2009)

 

O álbum seguinte foi lançado em junho de 2009. Talvez a grande dúvida fosse: até onde dava para ir com a música?

A música que abre o segundo álbum é "Heat will drive", uma música bem upbeat e que lembra muito outras músicas da época. A música é bem sussurrada, mas o estilo vocal da Gakki surpreendentemente se encaixa muito bem nessa música. A música não é muito memorável, mas eu diria que é uma boa música no geral.

A segunda música é "Utsushie", que foi usada como single. O timbre da voz da Gakki nessa música lembra muito a voz usada em "Heavenly Days", mas com bastante refino comparado àquela música. Isso não quer dizer que seja muita coisa, porque às vezes é bem claro até onde a voz da Aragaki pode chegar. A música é até bonita no geral, mas acho que ela segue uma linha muito parecida com o que vimos no primeiro álbum - onde os resultados não foram lá tão bons assim. Sendo justo, eu ouvi esses álbuns um tanto próximos uns dos outros (apesar de ter sido em dias diferentes), e isso pode ter me deixado um pouco sensível a falta de mudanças.

Essa música tem um videoclipe. Nele a Yui navega com um pequeno bote pela água. Ele é bem simples, sendo praticamente só a Gakki cantando e com alguma movimentação de câmera. 


"Only you" retorna mais uma vez às músicas que tentam explorar o timbre mais doce da Gakki. Com o risco de me repetir, acho que não é ruim, mas também não é exatamente nada demais. Nesse álbum, acho que a parte instrumental das músicas também perde consideravelmente para o primeiro. São bem menos interessantes. 

"Make My Day" é outra que foi usada como single. Essa é a segunda música verdadeiramente interessante do álbum. Ela é bem diferente das músicas do álbum anterior. A música usa algumas progressões de pop-rock e também de country - algo bem inimaginável até então. Embora a Gakki não tenha a voz mais poderosa do mundo, nesse tipo de música não fica nada mal. 

O videoclipe também captura bem a essência dessa música, com uma atmosfera bem alegre. Esse é sem dúvida o melhor produzido dos que tivemos até esse momento. No fim ainda é só a Gakki cantando com outros músicos, mas as pequenas coisinhas deixam ele bem alegre e divertido. Também tenho a impressão que esse é um dos primeiros em que vemos ela bem mais solta. 

No YouTube há muitos comentários nostálgicos com essa música. Eu consigo enxergar como alguém teria uma certa nostalgia com essa música, pra alguém que cresceu na virada dos anos 2010.

Veja bem, eu acho que devia ser bem difícil para ela. Hoje todos nós sabemos que a Gakki é super famosa, mas nesse período ela ainda estava se tornando essa atriz que todos conhecem. Imagino que ela não tinha tanta confiança assim - e acho que ela eventualmente ter largado esse lado musical é uma expressão disso. Pode até ser por outro motivo mais bobo - talvez isso nem desse um dinheiro significativo para ela, ou tomasse tempo demais - mas acho que em boa parte das músicas desses álbuns, eu sinto ela ainda bem tímida. Essa música talvez seja uma das poucas em que isso não acontece.

"Free Bird". Bem, acho a melodia dessa música bonita, e o resto é bem parecido com o resto. Os vocais são novamente tão doces que é um pouco difícil até avaliar muito a fundo. O refrão tem um vocal bonito.

Se tem algo para se elogiar no disco, no sentido de melhora, é que os vocais da Gakki podem até ser simples, mas são bem mais sólidos nesse álbum. O álbum anterior ainda tinha em algumas faixas a sensação de alguém que está aprendendo a cantar. Nesse álbum, essa sensação não existe. Pode-se questionar a capacidade vocal, mas ela certamente já tinha alguma técnica.

"Shinkaron" é outra balada. Uma balada bem padrão, com vocal doce e razoavelmente bonito. A letra é bem poética:

"Um pássaro que não voa
Tem um motivo para tal
[...]
O céu é imenso e solitário
E eu evoluí por amor"

"La la" é outra balada no álbum. Essa é a primeira letra do álbum que é escrita pela própria Aragaki. Assim como o último álbum, esse álbum tem apenas duas letras escritas pela Yui, sendo essa uma delas. A letra é até bem simples, e acho que bem menos poética do que as que vimos no álbum anterior.

"Cantando 'la la" aos céus
Eu sinto saudades de você
Procurando por você em meus sonhos
Mesmo que eu saiba
Que as coisas não são como antes"

A música seguinte é "Hachimitsu". Novamente, a Gakki não vai muito fundo no alcance vocal dela, mas a música é um pouco mais upbeat e bem mais interessante musicalmente do que boa parte das coisas do álbum. O instrumental dessa música é novamente um destaque.

"Piece" é a próxima música lançada como single do álbum. Dentro do álbum, acho que ela não soa como uma das mais interessantes - há uma porção de músicas muito similares. Como single, acho que essa música fazia bastante sentido. Isso porque tentando isolar ela do restante do álbum, trata-se de uma música bem produzida, com vocais simples mas muito bem executados.

A letra da música e o tema do videoclipe, são sobre encontrar a peça final e tornar-se a luz de alguém.

Acessando o blog e vendo o review ruim via WAP

Acho que uma outra característica bem infeliz desse álbum é que ele parece longo demais. Geralmente isso significa que boa parte dele é bem esquecível. Dentre "Subako" e "Rainbow" há bem pouco para se comentar. 

Por outro lado, "Akai Ito" é bem interessante. Essa música é um cover, sendo a canção original do Kobokuro. A música é de fato bem agradável, com um tom sutilmente confortante, e o videoclipe acompanha muito bem o estilo adotado para a música. Eu até achava que esse videoclipe era um tanto mais novo, porque a Gakki parece mais velha no vídeo, mas na verdade era só um corte de cabelo diferente do que ela geralmente usava na época. Acho que um videoclipe da Gakki interagindo com um gato não tinha muito como dar errado.

A letra da música faz referência a história de que pessoas que se amam são conectadas por um fio vermelho que as une. 


A música final do álbum é "Hug". Essa é a única música do álbum em que a letra é totalmente de autoria da Gakki, já que em "La la" ela colaborou com Yoko Kazuya. A letra tem um tom bem positivo, assim como a música no geral;

"[...]
Até ontem, eu não conseguia ver
Mas agora está lindo e estou feliz,
Coisas sem forma são incertas e instáveis
Não consigo viver assim,
Não quero esquecer o que estou sentindo
Não quero que isso escape entre meus dedos
Vamos abraçar o que amamos
[...]"

Essa música tem uma mensagem bem mais feliz e positiva do que a música escrita pela Gakki no álbum anterior ("Hikari"), que embora não fosse estritamente negativa, lidava com mais sentimentos de incertezas.

A música em si é ok.

Sobre o álbum como um todo: veja bem, para escrever aqui eu preciso ouvir os álbuns e eu acabo fazendo isso em sequência. Não é necessariamente no mesmo dia, mas eu acabo ouvindo os álbuns em uma janela relativamente pequena. Por volta do meio do álbum eu já estava bem cansado dele. Há pouco que possa ser considerado memorável, embora esse álbum tenha tido um certo êxito comercial.

Ao longo das treze faixas, a sensação é quase sempre a mesma: de novo? ou "de novo nada novo".

O álbum é bem repetitivo no estilo das músicas. Algumas músicas são quase uma sobreposição perfeita de estilo, tema e vocais.  Se você notar, as músicas que eu comentei um pouco mais, exceto pelas músicas com letra da Gakki, as quais dei um pouco mais espaço por serem escritas por ela, foram as que eram ao menos um pouco diferentes do restante. 

Acontece que tem bem pouco diferente.

E tem mais outro para ouvir.

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- NIJI (2010)

 

O terceiro e último álbum da Aragaki Yui foi lançado em setembro de 2010.

A primeira música "No Problem" tem uma aura bem infantil. Acho que isso combina bem com o estilo da Gakki. Incrivelmente, essa faixa, que é bem simplória, entra para as melhores do álbum. Por incrível que pareça.

"Fuwari" é a primeira de duas músicas do álbum com letra escrita pela Yui. Ela retorna para algo bem próximo do que vimos no álbum anterior. O que é sempre cansativo quando você ouve os álbuns em sequência como eu fiz.

A letra por outro lado é um tanto mais agradável. Ela fala sobre paixão e nostalgia.

" [...]
Tenho certeza que há coisas
que não podemos mais falar um pro outro
Mesmo assim, não é porque não importa
Naqueles pequenos e inesperados momentos
Ainda pensamos um no outro
[...] "

A terceira música é "Chiisana Koi no Uta", que é um cover de uma música bem famosa do Mongol800. Essa música é bem popular, seja na forma completa ou no instrumental. A versão original é o segundo videoclipe japonês dos anos 2000 que conseguiu ultrapassar 100 milhões de visualizações, atrás de "Hanabi" do Mr. Children. A música também é extremamente popular nos karaokês. 


Essa música tem um videoclipe, no qual a Gakki canta a música com outras milhares de pessoas, em forma de coral. Admito que tenho um fraco para esse tipo de videoclipe. Acho sempre muito bonito. Ele tem até um fundinho de informalidade, com a Gakki com um celular rosa pendurado no pescoço e um microfone da mesma cor em meio a tanta gente.

Se você está se perguntando porque esse videoclipe é um pouquinho mais superprodução, é porque a música em si também foi usada para o comercial do Walkman da Sony.


Porém a versão do álbum é a Gakki cantando sozinha, e bem, é bem menos impressionante. A música como um todo parece um tanto mais vazia quando você compara ela com a versão do videoclipe. Vou tentar manter a versão do MV na minha cabeça e esquecer a versão do álbum.

"Collage" é até interessante, mas é o mesmo museu de grandes novidades de tantas outras músicas comentadas aqui. Tive oportunidade de ouvir esse álbum com uma qualidade um pouco melhor, e dá pra notar que essa faixa tem um instrumental bem legal. Em especial a faixa de guitarra é bem gostosa de ouvir. O vocal dessa música tem um eco bem específico, quase abafado. Parece muito algo que eu já ouvi por aí. De onde será?

Vamos ver os compositores da música...

A letra é Tomoko Kawase (the brilliant green, Tommy February6, Tommy Heavenly6) e a música do seu marido Shunsaku Okuda. 

Tá explicado, né. Nem tudo que funciona na voz da sua esposa funciona na voz dos outros, Shun!

Bem, a música em si não é ruim. Vamos ser justos.


A música seguinte é "Hanamizuki", que é mais um cover.. Ela é uma música muito famosa em karaokes no Japão, tendo sido lançada em 2004 por Yo Hitoto, sendo uma música de pacifismo relacionada aos Ataques de 11 de Setembro. Um videoclipe também foi produzido para a versão da Gakki, usando cenas do filme de mesmo nome. O filme é um romance envolvendo a Aragaki e o Nakatsu da Hana Kimi (que também atende por Ikuta Toma, nome pelo qual ele é bem conhecido também). O filme vale a pena ser visto.

Acho que essa música é verdadeiramente bonita. Acho que não só faz jus à música original mas também é uma das melhores músicas da Aragaki Yui no geral. Eu diria que ela é a versão música-para-filme-adolescente com bons vocais da Aragaki, diferente de Heavenly Days, que funciona bem por outros motivos, como dito anteriormente.

"Tekuteku" é qualquer coisa menos boa. "Tobira", por outro lado, é uma música bonita. Ela dificilmente escapa da sina de ser parecida com alguma outra música do álbum anterior, mas ao menos ela soa bem agradável.

"Present" até parece uma música que poderia ser interessante, mas em pouco tempo ela se converte em uma versão piorada de outras músicas do álbum.

A nona faixa é "Days". Ela não é ruim também, tem uma sonoridade agradável. Infelizmente, ainda acho que o vocal da Gakki ainda compromete certas músicas. Em várias músicas o estilo de nunca ir fundo demais nos vocais funciona, mas em outras músicas, só faz a música parecer um pouco incompleta. Acho que esse é um exemplo. Eu consigo pensar em alguns vários artistas com os quais essa música ficaria razoavelmente boa.


"Walk" é uma boa música e não muito mais do que isso. 

O videoclipe é bem básico e acho que não tem muita coisa para ser comentado sobre.

A música final é "Niji", faixa título, e a segunda com letra composta pela própria Aragaki Yui. Essa música é, de uma forma um tanto quanto ruim, o resumo da obra. Também é notável nesse álbum, como os instrumentais das faixas secundárias, aquelas que acabam não sendo single, ficaram bem menos interessantes desde o primeiro álbum "Sora", que tinha instrumentais muito melhores produzidos no geral.

A música em si é até bonita, mas me pergunto quantas vezes eu disse isso como um qualificador das músicas nesse texto. Talvez a minha decepção pessoal seja que eles poderiam ter tentado um pouco mais. A letra da Gakki é novamente bem poética, e acho que ela realmente poderia se dar bem como letrista, se seguisse esse caminho.

"[...]
Não sou forte o suficiente para enfrentar
a razão pela qual estou chorando
Depois das lágrimas,
A imagem que surge é de um arco-íris
cheio de sentimentos
[...]

Que jornada hein.

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Novamente, nesse texto eu quis falar da carreira musical da Gakki. A Gakki atriz é uma das minhas favoritas, e ela é realmente boa no que faz. Acho que ela fez bem em seguir esse caminho - não porque a carreira musical dela deu errado, muito pelo contrário, os números são até razoavelmente bons - mas porque ela é realmente excelente no que faz hoje. 

Ela é uma das atrizes mais reconhecidas hoje e uma das requisitadas para comerciais. Ela faz até Switch Sports sozinho parecer divertido. É importante notar que ela começou com papéis bem inexpressivos, como comentei em Dragon Zakura no começo do post. Ela conseguiu chegar onde chegou porque ela é boa mesmo.

Por outro lado, acho que as limitações dela como cantora ficam bem evidentes em todos os três álbuns. Além disso, há também uma produção bem pouco inspirada em todos os três, mas com uma leve vantagem para o primeiro, que poderia ser melhor se a Gakki tivesse mais técnica vocal já naquela época. Eu entendo que eles não tinham motivos para experimentar muito, mas do ponto de vista musical, isso machuca bastante os três álbuns.

Por vezes, a impressão é que você está ouvindo um disco triplo interminável, com uma temática incansavelmente parecida.  Quantas vezes eu disse que as músicas eram "bonitas" ou "agradáveis". Isso até soa como elogio de forma isolada, mas repetido muitas vezes, acho que é quase uma confissão das limitações dele. Todos esses álbuns dificilmente conseguem passar do "agradável" e dificilmente conseguem muito mais do que algumas músicas "bonitas".

Acho que o veredito é que os três álbuns são bem pobres. Há pouco o que extrair deles. Pouco não significa nada. Há músicas verdadeiramente boas no meio de todas essas, com boa atuação vocal da Gakki. Infelizmente, no geral, não é o suficiente para salvá-los como álbuns. 

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Obrigado por ler.





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